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Síndrome de Burnout

Em tempos atuais percebem-se novos termos para descrever aquilo que antes era pouco percebido, negligenciado ou mesmo “incomum”. Na década de 80 foi evidenciada mais uma doença de ordem emocional, que acomete a sociedade há décadas e tem se intensificado na era da internet, da atualização e aceleração que nos atingem antes mesmo de assimilar o dia de ontem. Neste texto, vamos falar sobre a Síndrome de Burnout, que é o nome de uma das doenças associadas ao trabalho.



Burnout é uma palavra de origem inglesa, que nesta aplicação significa esgotamento ou desgaste, trazendo um sentido bem literal para o que a síndrome trás para aqueles que a desenvolvem. Alguns sintomas que aparecem nas pessoas com burnout são: cansaço excessivo (físico e mental), dores cabeça e no corpo, alteração no apetite, insônia, dificuldades de concentração, alterações de humor, angústia, sentimento de insegurança e frustração, isolamento social voluntário, pressão alta, entre outros.


O que pode estar por trás deste esgotamento? Segundo pesquisas do ISMA (International Stress Management Association) 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome, superando países como Estados Unidos e Alemanha. As principais justificativas encontram-se nas profissões ou situações que promovem alto nível de competitividade, metas inacessíveis, jornadas extensas, falta de reconhecimento profissional, baixa remuneração ou falta de recompensas assim como pouca disponibilidade para descanso ou interações sociais. Algumas ocupações tendem a apresentar maior índice de profissionais em estado de esgotamento sendo estes cargos aqueles que mais exigem entrega de seus ocupantes.


Durante a pandemia, foi percebido um aumento exponencial em casos de burnout junto a profissionais da saúde que tiveram baixas em suas equipes e, de forma inversamente proporcional, aumento da demanda. Também é notável que casos da síndrome ocorram em cargos da segurança pública, educação, bancários, teleatendimento, entre outros. Pode ser considerado como um fator de risco, qualquer ocupação que exponham as pessoas à situações altamente estressantes, em condições precárias ou em cenários sociais que exijam a aceitação das condições de trabalho.


A internet trouxe grandes avanços no campo relacional e do trabalho, agilizando os processos de forma nunca vista antes. No entanto sua colaboração com aumento da síndrome pode ser compreendido pela sobrecarga de informações, o número de canais para trabalhar, e claro as rede sociais que podem contribuir para uma comparação constante dos sujeitos com pessoas “bem sucedidas” reforçando a necessidade de entregar resultados, conquistar bens ou experiências, cada vez mais rápido.


Infelizmente, a síndrome de burnout pode conduzir o indivíduo a um estado de depressão e/ou ansiedade, o que pode encaminhar uma pessoa ao suicídio. Portanto é necessário perceber os sintomas o quanto antes e buscar ajuda profissional na psiquiatria ou psicologia, a fim de construir saídas ou mesmo de criar fatores de proteção para cada um. É importante que as organizações possam observar os índices de absenteísmo e de desligamentos, bem como suas motivações, a fim de investigar se há a possibilidade de desenvolver um ambiente mais saudável para seus colaboradores. Afinal profissionais pouco motivados, pressionados, com desgaste emocional, infelizes ou doentes não conseguem manter uma produção adequada e tampouco traz resultados desejados.


É importante que os indivíduos possam identificar se estão desenvolvendo a síndrome, mas também é necessário criar ambientes de trabalhos mais humanizados de forma a prevenir o sofrimento mental.


E para você que se identificou com algum sintoma ou situação aqui apresentada, é fundamental se perguntar se você está ou esteve confortável com o seu trabalho a ponto de entregar seus resultados sem danos à sua saúde física ou mental, e se no momento você se sente cobrado a estar cada vez mais produtivo e assertivo em condições desfavoráveis. Caso a resposta seja “sim” te convido a promover o autocuidado e a psicoterapia como forma de prevenção. Procure ajuda e lembre-se: você não precisa lidar com isso sozinho.

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